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RELEASES

Pesquisa revela que 370 mil pessoas consomem crack nas capitais brasileiras

Para especialista, a tuberculose e a dependência química são problemas sociais
 
Os ministérios da Justiça e da Saúde divulgaram hoje (19) a Pesquisa dos Usuários de Crack e/ou Similares no Brasil. De acordo com o estudo, a contaminação pelo vírus HIV entre os dependentes de crack no país é oito vezes maior em relação à população em geral. No conjunto dos cidadãos brasileiros, 0,6% contraiu doença, enquanto a prevalência é de 5% para quem consome regularmente esse tipo de droga ilícita. A pesquisa foi encomendada pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad) à Fiocruz. São 370 mil pessoas nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal que consomem crack regularmente.
 
A pesquisa também apontou dados referentes à comparação entre o uso do crack com a tuberculose. A prevalência da doença é de 1,7% em usuários da droga. Para o psiquiatra Thiago Marques Fidalgo, coordenador do Ambulatório de Dependências do A.C. Camargo Câncer Center, a preocupação com a relação das duas questões é preocupante. “Infelizmente, a tuberculose ainda é a maior causa de morte por doença infecciosa em adultos”, ressalta.
 
Além disso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) determina que 70% dos casos da doença devem ser curados, mas o Brasil não atinge a taxa. “Isso ocorre por diversos fatores, mas também por causa da presença de dependentes químicos – álcool e crack – nos índices”, aponta. O psiquiatra explica que o tratamento utilizado para tuberculose é demorado e cansativo, levando, em média, seis meses para ser concluído. “Por essa razão, é complicado o usuário de drogas continuar tomando os medicamentos, já que pode ter uma recaída durante o processo e cortar o efeito dos remédios”.
 
Fidalgo ressalta que a dependência e a tuberculose dividem um problema social do país. Para Fidalgo, a solução é investir em capacitação de profissionais para ambos os casos. “No caso do HIV, pesquisas já revelaram que o tratamento é mais eficaz quando a doença e a dependência química são tratadas na mesma instituição. Acredito que com a tuberculose não é diferente. Por isso precisamos de médicos preparados para enfrentar este tipo de trabalho”, finaliza.
 
A Pesquisa dos Usuários de Crack e/ou Similares no Brasil também apontou que os usuários de crack no país são principalmente adultos jovens, com idade média de 30 anos, sendo que os homens representam 78,7% dos casos. A baixa escolaridade predomina entre os casos, com duas em cada dez pessoas cursando ou com o ensino médio concluído. Em relação ao ensino superior, a proporção é ainda menor: cerca de 0,3% cursou ou concluiu esse nível.

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