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RELEASES

Pesquisa confirma relação da bebida alcoólica com câncer de mama

Psiquiatra ressalta a dificuldade da abordagem do alcoolismo por oncologistas e os obstáculos adicionais impostos pela dependência durante o tratamento da doença
 
Uma pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, divulgada na última semana de agosto pelo Journal of the National Cancer Institute, confirmou a associação do consumo de bebida alcoólica ao câncer de mama, apontando maior risco da doença em mulheres que ingerem álcool entre a primeira menstruação e a primeira gravidez. De acordo com o coordenador do Setor de Adultos do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (PROAD), do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo e coordenador do Ambulatório de Dependências do AC Camargo Cancer Center, Thiago Marques Fidalgo, este estudo é apenas mais um alerta para a classificação do álcool como importante fator de risco modificável para o câncer. “Novos dados agora colocam o álcool como o segundo fator de risco modificável para as neoplasias malignas, atrás apenas do tabaco”, afirmou o psiquiatra.
 
De acordo com ele, o problema aumenta ao se considerar que diversos levantamentos têm apontado que a questão do alcoolismo normalmente não é abordada pelo oncologista durante sua avaliação. “Um estudo de 2011 revelou que somente 13% dos pacientes com problemas pelo uso de álcool foram identificados por seus clínicos e encaminhados para correto acompanhamento”, expôs o psiquiatra. Além disso, também foi constatado que pacientes com o teste CAGE positivo – questionário de quatro perguntas para identificar problemas com o álcool –, apresentaram necessidade de doses maiores de opióides ao longo de seu tratamento, aumentando seu tempo de internação e seu número de intercorrências clínicas. “A abordagem do consumo de álcool e tabaco no doente com câncer é hoje parte integrante do tratamento oncológico e os oncologistas devem estar preparados para intervir e encaminhar esses pacientes para tratamento especializado sempre que necessário”, completou.
 
Segundo o psiquiatra, o atual cenário reforça a necessidade de regulamentação do consumo. Cânceres de cabeça e pescoço, de esôfago, estômago, fígado, cólon, entre outros, são alguns dos que tem o álcool entre seus fatores de risco. “Se conseguíssemos evitar que essas mulheres tivessem contato com a bebida, estaríamos gerando vários benefícios à sua saúde, inclusive a prevenção do câncer de mama”, opinou. “É muito importante alertar a população para a associação do álcool com câncer, que ainda é pouco conhecida e pouco debatida, ao contrário do que acontece com o cigarro”, concluiu Thiago Fidalgo.

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