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RELEASES

"É mais saudável seu filho deixar de usar crack para usar maconha"

Psiquiatra da Unifesp, Thiago Fidalgo comenta política de redução de danos no Brasil e ressalta hierarquia das drogas mais perigosas
 
A política de redução de danos sempre foi motivo de polêmica entre especialistas, principalmente no campo do álcool e outras drogas. No último mês de julho, por exemplo, foi a vez da cidade de Belo Horizonte, já pauta de reportagens no primeiro semestre de 2013 quando sugeriu aos dependentes a troca temporária do crack por substâncias mais leves, voltar aos noticiários devido a distribuição de canudos para uso da droga. Para o coordenador do Setor de Adultos do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (PROAD), do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo, Thiago Marques Fidalgo, essas técnicas devem ser vistas sim como uma alternativa de tratamento para aqueles que não conseguem a abstinência completa.
 
“Um bom exemplo de estratégia de redução de danos que está impregnada no inconsciente coletivo é ‘se beber, não dirija’. Isso é redução de danos. Você não está fazendo uma campanha ‘não beba’, não está pregando a abstinência do álcool. A campanha diz: ‘você pode beber, mas se beber diminua o estrago e não dirija’. E esta mentalidade está disseminada, está nas novelas, nas propagandas de cerveja, nos bares”, afirmou o psiquiatra. De acordo com ele, a redução de danos é mais uma ferramenta do arsenal para lidar com a dependência, e embora seja adotada mundialmente, ainda tem aplicações tímidas no Brasil.
 
Apesar de fazer parte da política nacional do Ministério da Saúde, parte da resistência está na alegação de que a prática vai contra a Lei de Drogas, que caracteriza como crime induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga. “De jeito nenhum ela é apologia, estímulo ou significa que nos contentamos com pouco. Durante muito tempo houve um exagero dos dois lados, de quem defende e de quem não defende a redução, mas acho que agora estamos caminhando para um discurso mais conciliador”, explicou Fidalgo. “Óbvio que o que todo mundo espera é que ninguém use qualquer substância, que os pacientes se recuperem. Todo mundo quer a abstinência completa, inclusive quem faz redução de danos. Mas quando o objetivo final está distante, existe sim uma hierarquia das drogas mais perigosas e ela deve ser considerada”, alertou o psiquiatra. “Não tem como negar – e é bem complexo dizer isso – que é muito mais saudável seu filho deixar de usar crack para usar maconha. O que eu espero, enquanto profissional, é que ele pare de usar maconha também, e trabalhamos para isso. Mas não dá para dizer que não houve um avanço nessa troca. Principalmente porque o estrago que o crack faz é muito, muito maior”, finalizou Thiago Fidalgo.

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