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RELEASES

Abuso de álcool pede mudança urgente na publicidade

Lei Antiálcool em SP foi avanço mas a mudança na publicidade será uma ação determinante nas políticas públicas adotadas no combate ao alcoolismo
 
Levantamento feito no HU (Hospital Universitário) da USP indica que, de 2002 a 2012, adolescentes e jovens de 13 a 22 anos compuseram a faixa etária que mais procuraram atendimento em decorrência de intoxicação aguda por ingestão de álcool: foram 35% dos 1.370 atendimentos.
 
O estudo, divulgado revela ainda que o pico da procura de auxílio médico por causa de bebedeira se dá entre os 19 e 20 anos e que, após os 25 anos, os índices começam a cair.
 
Apenas no Estado de São Paulo, segundo pesquisa do Instituto Ibope em 2011, 18% dos adolescentes entre 12 e 17 anos bebem regularmente, e quatro entre dez menores compram livremente bebidas alcoólicas no comércio.
 
É evidente que uma legislação e fiscalização mais rígidas são necessárias, mas a Associação Brasileira do Estudo do Àlcool e outras Drogas (ABEAD) também entende que o governo ainda precisa adotar uma série de outras medidas para inibir o consumo. A restrição a publicidade do álcool segue sendo uma das mais importantes. Grande parte do consumo (não só entre os adolescentes) é consequência da associação entre álcool e diversão, estimulada constantemente pela propaganda da substância em diferentes canais de comunicação.
 
Também é fato que boa parte dessas propagandas é voltada para os jovens. Um estudo recente que analisou 420 horas da programação dos quatro canais de TV de maior audiência no Brasil, concluiu que a publicidade de bebidas alcoólicas está concentrada nos programas de esporte, que tem forte apelo entre o público menor de idade, que fica exposto à propaganda de bebida. E quanto maior a exposição à publicidade, maior o consumo de álcool.
 
A medida em vigor no Estado de São Paulo que aumentou a fiscalização na venda de bebidas para menores é sem dúvida um avanço e tem total apoio da ABEAD, mas é preciso mais para resolver de fato o problema do consumo entre os adolescentes, que é cada vez mais precoce e preocupante.
 
Propaganda
 
A ABEAD aderiu a uma campanha, que envolve uma petição pública, que defende mais restrições nas campanhas publicitárias de bebidas alcoólicas.
 
"A publicidade do álcool precisa ser revista já. O jovem brasileiro é estimulado a beber muito cedo e cada vez mais. Quanto mais jovem se bebe, maior o risco de dependência e de consequências graves e irreversíveis para a saúde", afirma o médico Joaquim Melo, presidente da ABEAD.
 
Atualmente, a lei proíbe a comercialização de bebida alcoólica para menores de 18 anos e obriga que haja alerta dos riscos de beber e dirigir.
 
Hoje, há restrição à veiculação de propaganda de bebidas na TV. Publicidade de cachaça e uísque (mais de 13 graus GL, unidade que mede volume de álcool) não pode ser veiculada das 6h às 21h.
 
Médicos e entidades civis, encabeçados pelo Ministério Público, querem restrição também para a cerveja.
 
O Estudo intitulado “Distribuição do consumo de álcool e problemas em subgrupos da população brasileira”, de autoria de Raul Caetano, Ronaldo Laranjeira, Ilana Pinsky e Marcos Zaleski, entrevistou em 2010, cerca de 3 mil pessoas em todo o território nacional e apontou que 5% dos bebedores brasileiros bebem 27% de todo o álcool consumido anualmente no país. E do total de bebedores, 78% são homens.
 
Em relação à faixa etária, o levantamento apontou que o grupo de adolescentes entre 14 e 17 anos bebe 6% de todo o consumo anual de álcool. “O número é preocupante, já que a Lei proíbe o consumo de bebidas alcoólicas por menores de 18 anos”, comenta Ilana Pinsky, que é uma das autoras do estudo e vice-presidente da ABEAD.
 
Outro dado alarmante é o índice entre os jovens de 18 a 29 anos, que é responsável por 40% do consumo. “Segundo o IBGE, esse grupo representa 22% (1/5) da população brasileira. Se pensarmos que apenas pouco mais de 20% da população bebe 40% de todo o consumo anual de álcool e, mais ainda, que são jovens, fica evidente o risco que a publicidade, cada vez mais voltada a esse publico, representa”, explica Joaquim Melo.
 
Ainda de acordo com o estudo, a população de 30 a 39 e 40 a 49 anos bebem cada uma 20% do total consumido no Brasil. “Em distribuições por sexo e faixa etária, o consumo de álcool dos grupos brasileiros são semelhantes aos padrões encontrados nos Estados Unidos e em alguns países da Europa”, afirma Ilana.
 
“O controle da publicidade de álcool é extremamente central, já que é especialmente dirigida aos homens e aos jovens, justamente os grupos que mais bebem. Além disso, o principal controle em vigor no Brasil, que é a autorregulamentação, não funciona. No Brasil, observa-se uma grande diversidade de estratégias de publicidade de bebidas alcoólicas, principalmente de cerveja, em todos os períodos da programação de TV. Ignora-se que, entre o público-alvo, estão grupos com idade abaixo da permitida por lei (menores de 18 anos)”, destaca a psicóloga Ilana Pinsky.
 
A partir da análise de cinco anúncios que foram publicados durante o verão de 2005-2006 e a Copa de 2006, percebidos como altamente atraentes para os adolescentes, foram identificados diversos pontos que violam a regulamentação nacional, em especial a diretriz que visa proteger crianças e adolescentes e a orientação que proíbe conteúdo incentivando o consumo excessivo de bebidas alcoólicas de forma irresponsável. Os anos se passaram e a publicidade ficou ainda mais criativa e focada no jovem, a exemplo do que estamos assitindo em relação à Copa das Confederações e a Copa do Mundo.
 
“Essas evidências do consumo de álcool entre jovens são ainda mais preocupantes por sabermos que, neles, os efeitos podem ser ainda mais devastadores. Além de estar atrelado à maior parcela de acidentes de carro e agressões entre os jovens, o consumo de bebidas alcoólicas entre os adolescentes pode provocar sérias alterações comportamentais, sendo ainda a principal porta de entrada para o consumo de outras drogas. Isso apenas para resumir os estragos provocados pela bebida”, conclui a especialista.
 
O apoio da população e organizações civis pode ser realizado com a divulgação da campanha e, principalmente, com a coleta de assinaturas para o projeto de iniciativa popular.

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